Para um diagnóstico assertivo e eficaz, é fundamental que o profissional cardiologista e emergencista compreenda totalmente as particularidades do quadro clínico da Síndrome Coronaria Aguda sem SUPRA-ST. Partindo, então, deste fato, o presente texto buscará expor as características principais do quadro clínico da SCA sem SUPRA-ST, com o objetivo de auxiliar os profissionais interessados na hora de diagnosticar infarto em consultórios e hospitais.
Sinal de Levine:
Sendo um importante achado da semiologia cardiovascular, o chamado Sinal de Levine é comumente representado como na imagem abaixo:
Caracterizado pela dor opressiva no peito, chamamos de Sinal de Levine a ação do paciente, ao se queixar de dor torácica, de levar a mão, geralmente com punho cerrado, sobre o tórax e realizar movimentos circulares. Consideramos esta atitude como uma expressão corporal típica de pacientes com infarto agudo do miocárdio. Ficar atento para o Sinal de Levine pode auxiliar no diagnóstico de diversos casos de dor torácica, sendo ele uma das primeiras pistas para a definição de um quadro clínico como SCA sem SUPRA-ST.
Tipos de Dor Torácica:
Considerando o estudo “Angiographic prevalence of high-risk coronary artery disease in patients subsets (CASS)”, da década de 1980, que comparou diversos tipos de dor torácica considerando a possibilidade de cada uma delas evoluírem para um diagnóstico de infarto, com resultante angiográfica. A partir desses estudos, temos as seguintes definições:
– Definitivamente ou Provavelmente Anginosa (Típica): dor precordial; podendo irradiar para ambos os braços e ombros, mandíbula, pescoço e, eventualmente, também para as costas. Ela é desencadeada por esforço ou estresse e aliviada por nitrato ou repouso. Considerando estas definições, o profissional pode se perguntar: não é considerada característica da SCA sem SUPRA-ST a dor também em repouso? Sim, por isso é muito importante perguntar para o paciente como foram os últimos 30 dias antes da consulta, buscando uma história clínica completa. É muito provável que, nestes casos, o profissional encontre histórias que descrevem a dor e a angina de início recente.
– Provavelmente não Anginosa (Atípica): também chamada de Dor do tipo B ou Dor do tipo C, são caracterizadas pela história clínica confusa, com poucas características da Dor Anginosa e sem relação com esforço. Este tipo de dor pode causar dificuldades na hora do diagnóstico, para o esclarecimento total é necessário a realização do eletrocardiograma e troponina.
– Definitivamente não Anginosa: aquela que o profissional tem certeza que não é uma dor cardíaca, pois não apresenta nenhuma característica da dor Anginosa. O paciente apresenta sensibilidade na pele, neuropatia tipo zoster ou dor muscular posicional, caracterizando uma dor que definitivamente não é Anginosa.
Diagnóstico Diferencial da SCA:
Toda dor acima do epigástrio pode ser relacionada à Coronária Aguda, porém, há diversos casos de diagnósticos diferenciais, como: Miopericardite, Pericardite, Embolia de Pulmão, Bronquite Aguda, Síndrome de Takotsubo, Refluxo, Gastrite e Pancreatite, para citar apenas alguns exemplos. Por este motivo, a realização de uma anamnese completa é indispensável em toda avaliação de casos com ocorrência de dor torácica.
Para uma visualização mais completa dos possíveis diagnósticos diferenciais, confira a tabela abaixo:
Referências:
Este texto foi construído a partir da aula “Qual o quadro clínico da SCA sem SUPRA-ST?”, do curso Infarto: Tudo o que você precisa saber, coordenado e ministrado pelo Dr. Eduardo Pesaro. Para informações mais detalhadas, confira o curso completo ou assista a aula em nosso canal do youtube. É importante ressaltar que o Dr. Pesaro não esteve envolvido na escrita deste texto, porém nenhuma informação aqui presente foi alterada.
Conheça o autor:
Dr. Eduardo Pesaro é Doutor em Cardiologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP); Pós-doutorado em Cardiologia pela FAPESP/Hospital Israelita Albert Einstein; Cardiologista da Unidade Coronária do Hospital Albert Einstein desde 2004; Docente e Pesquisador Clínico do Hospital Albert Einstein desde 2004; Coordenador do Grupo de suporte de Cardiologia do Hospital Albert Einstein; Especialista em Clínica Médica – Sociedade Brasileira de Clínica Médica (2002); Especialista em Cardiologia – Sociedade Brasileira de Cardiologia (2004); Especialista em Medicina Intensiva – Sociedade Brasileira de Medicina Intensiva (2006) e Member of the Global Physician Associate Program of Cleveland Clinic (2013).