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Distúrbios do movimento funcionais: especial NeuroUSP

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Clínica Médica
Distúrbios do movimento funcionais: especial NeuroUSP

Os distúrbios do movimento funcionais representam um desafio frequente na prática médica, especialmente na atenção primária, na neurologia e nos serviços de urgência. Embora sejam comuns, ainda são pouco compreendidos, frequentemente subdiagnosticados ou confundidos com doenças neurológicas estruturais, o que leva a exames excessivos, atrasos terapêuticos e estigmatização dos pacientes.

Compreender o que são os distúrbios do movimento funcionais é essencial para oferecer um cuidado baseado em evidências, empático e eficaz.

 

O que são os distúrbios do movimento funcionais

Os distúrbios do movimento funcionais são condições neurológicas caracterizadas por movimentos anormais involuntários que não são explicados por lesões estruturais ou doenças neurodegenerativas. Os sintomas são reais, causam sofrimento significativo e comprometem a funcionalidade do paciente.

Esses distúrbios resultam de uma alteração no funcionamento dos circuitos cerebrais responsáveis pelo controle do movimento, e não de dano anatômico identificável em exames de imagem convencionais.

 

Principais manifestações clínicas

Os distúrbios do movimento funcionais podem se apresentar de diversas formas, incluindo:

  • Tremor
  • Distonia
  • Mioclonia
  • Alterações da marcha
  • Fraqueza associada a padrões inconsistentes

Uma característica central é a variabilidade dos sintomas, que podem mudar de intensidade, localização ou padrão ao longo do tempo ou durante o exame clínico.

 

Como reconhecer sinais positivos no exame neurológico

O diagnóstico dos distúrbios do movimento funcionais é clínico e deve ser baseado na identificação de sinais positivos, e não apenas na exclusão de outras doenças neurológicas.

Alguns achados comuns incluem:

  • Inconsistência dos sintomas durante o exame
  • Melhora ou desaparecimento do movimento anormal com distração
  • Padrões de movimento incongruentes com doenças neurológicas conhecidas
  • Variabilidade da frequência e amplitude dos movimentos

Esses sinais ajudam o médico a estabelecer o diagnóstico com maior segurança e reduzem a necessidade de exames complementares desnecessários.

O papel dos exames complementares

Exames laboratoriais e de imagem podem ser utilizados para descartar diagnósticos diferenciais quando indicado, mas não confirmam o diagnóstico de distúrbio do movimento funcional.

O excesso de exames pode reforçar a percepção do paciente de que existe uma doença estrutural grave ainda não identificada, o que dificulta o engajamento terapêutico.

 

Como comunicar o diagnóstico ao paciente

A forma como o diagnóstico é comunicado é um dos pilares do tratamento. Explicações claras, empáticas e baseadas em funcionamento cerebral são fundamentais.

É importante reforçar que:

  • Os sintomas são reais e involuntários
  • Não se trata de simulação ou fingimento
  • Existe tratamento e possibilidade de melhora

Uma comunicação inadequada pode aumentar resistência, ansiedade e desconfiança em relação à equipe de saúde.

 

Manejo e tratamento dos distúrbios do movimento funcionais

O tratamento é multidisciplinar e deve ser individualizado. As estratégias mais eficazes incluem:

  • Educação do paciente sobre o diagnóstico
  • Fisioterapia com abordagem focada em reaprendizado motor
  • Psicoterapia, especialmente abordagens cognitivas e comportamentais
  • Tratamento de comorbidades psiquiátricas quando presentes

Medicamentos não são o tratamento principal para os distúrbios do movimento funcionais, mas podem ser úteis no manejo de sintomas associados, como ansiedade, depressão ou dor.

 

Por que esse tema é cada vez mais relevante

O reconhecimento adequado dos distúrbios do movimento funcionais reduz custos, evita iatrogenias e melhora significativamente a qualidade de vida dos pacientes. Além disso, exige do médico habilidades clínicas refinadas, comunicação eficaz e compreensão integrada entre neurologia e saúde mental.

 

Trata-se de um tema central para a formação médica contemporânea e para a prática baseada em cuidado centrado na pessoa.

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Referências bibliográficas

  • Espay AJ, Lang AE. Functional movement disorders. UpToDate. Atualizado em 2025.
  • Stone J et al. Functional neurological disorder: diagnosis and treatment. The Lancet Neurology.
  • Edwards MJ, Bhatia KP. Functional movement disorders. Movement Disorders.

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