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Manejo da epilepsia em adultos: especial NeuroUSP

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Clínica Médica
Manejo da epilepsia em adultos: especial NeuroUSP

A epilepsia é uma condição neurológica crônica frequente, com impacto significativo na qualidade de vida, funcionalidade e segurança dos pacientes. Seu manejo adequado exige mais do que a simples prescrição de medicamentos: envolve diagnóstico correto, escolha terapêutica individualizada, acompanhamento longitudinal e educação contínua do paciente.

Este artigo apresenta uma visão geral e prática sobre o manejo da epilepsia em adultos, baseada em evidências e aplicável a diferentes cenários de cuidado.

 

O que é epilepsia e quando suspeitar

A epilepsia é definida pela ocorrência de crises epilépticas recorrentes, não provocadas, resultantes de atividade elétrica cerebral anormal. O diagnóstico deve ser considerado após duas ou mais crises não associadas a fatores agudos reversíveis, ou após uma única crise quando o risco de recorrência é elevado.

A distinção entre crise epiléptica e eventos não epilépticos é fundamental, pois erros diagnósticos levam a tratamentos desnecessários e exposição a efeitos adversos evitáveis.

 

Avaliação inicial do adulto com epilepsia

A avaliação clínica detalhada é o pilar do manejo. A anamnese deve explorar características do evento, fatores precipitantes, história familiar, uso de medicamentos e presença de comorbidades clínicas ou psiquiátricas.

O exame neurológico contribui para identificar sinais focais que sugerem etiologia estrutural. Exames complementares auxiliam na classificação do tipo de epilepsia e na definição da estratégia terapêutica, mas não substituem o julgamento clínico.

 

Princípios do tratamento medicamentoso

O tratamento farmacológico é a base do manejo da epilepsia em adultos. O objetivo é alcançar controle completo das crises com o menor número possível de efeitos adversos.

Alguns princípios fundamentais incluem:

  • Iniciar tratamento com um único medicamento sempre que possível
  • Escolher o fármaco de acordo com o tipo de crise e o perfil do paciente
  • Utilizar titulação gradual para melhorar tolerabilidade
  • Avaliar adesão antes de considerar falha terapêutica

Grande parte dos pacientes alcança bom controle das crises com a primeira ou segunda tentativa terapêutica.

 

Acompanhamento e ajustes ao longo do tempo

O manejo da epilepsia é dinâmico e exige seguimento regular. Mudanças na frequência das crises, efeitos adversos, interações medicamentosas e eventos de vida relevantes devem ser continuamente avaliados.

A educação do paciente é parte central do cuidado, incluindo orientações sobre adesão ao tratamento, privação de sono, consumo de álcool e situações de risco, como direção de veículos.

 

Quando considerar epilepsia de difícil controle

Considera-se epilepsia de difícil controle quando não há resposta adequada após tentativas apropriadas com dois medicamentos bem escolhidos e tolerados. Nesses casos, é fundamental reavaliar o diagnóstico, o tipo de crise e a adesão ao tratamento.

Pacientes com epilepsia refratária devem ser encaminhados para avaliação especializada, onde outras estratégias terapêuticas podem ser consideradas.

Aspectos psicossociais e qualidade de vida

A epilepsia não se limita às crises. Estigma, ansiedade, depressão e restrições sociais são frequentes e impactam diretamente a qualidade de vida.

O cuidado integral envolve escuta qualificada, apoio psicossocial e abordagem centrada na pessoa, indo além do controle puramente clínico das crises.

Por que o manejo da epilepsia exige atualização constante

Avanços no entendimento da epilepsia e no desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas reforçam a necessidade de formação contínua dos profissionais de saúde. O manejo adequado reduz morbidade, mortalidade e melhora significativamente a autonomia dos pacientes.

Para médicos de diferentes especialidades, compreender os princípios do cuidado à pessoa com epilepsia é uma competência essencial da prática contemporânea.

 

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Referências bibliográficas

  • Kanner AM, Ashman E. Overview of the management of epilepsy in adults. UpToDate. Atualizado em 2025.
  • Fisher RS et al. Operational classification of seizure types. Epilepsia.
  • Löscher W et al. Drug-resistant epilepsy. The Lancet Neurology.

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