Neurite vestibular e labirintite: especial NeuroUSP
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A polilaminina tem ganhado destaque na mídia científica e na imprensa por representar uma possível inovação no tratamento da lesão medular traumática. Descoberta no Brasil de forma inesperada, a molécula passou de achado laboratorial a candidata terapêutica com autorização para estudo clínico em humanos.
Este artigo foi desenvolvido para médicos e profissionais da saúde que desejam compreender os fundamentos biológicos, o racional terapêutico, o estágio atual da pesquisa e as perspectivas clínicas dessa nova abordagem.
A polilaminina é uma molécula derivada da laminina, proteína da matriz extracelular com papel central na adesão celular, diferenciação e regeneração tecidual. No sistema nervoso, a laminina participa da orientação e do crescimento axonal durante o desenvolvimento embrionário.
A partir da organização polimérica dessa proteína, pesquisadores brasileiros identificaram uma forma com potencial de estimular regeneração neural em modelos experimentais. O mecanismo proposto envolve:
Estudos pré-clínicos indicaram recuperação funcional em modelos animais com lesão medular, o que motivou a transição para investigação clínica.
A lesão medular traumática permanece condição de elevada morbidade, com impacto motor, sensitivo e autonômico. O dano ocorre em duas fases principais:
Atualmente, o manejo envolve:
Não há terapias amplamente estabelecidas capazes de promover regeneração axonal significativa em humanos, o que justifica o interesse crescente em estratégias baseadas em biotecnologia e engenharia de tecidos.
Segundo reportagens da BBC News Brasil, G1 e CNN Brasil, a polilaminina apresentou resultados promissores em modelos animais, com melhora de parâmetros motores após lesão medular.
Em janeiro de 2026, o Ministério da Saúde do Brasil e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária anunciaram a aprovação de estudo clínico para avaliação da segurança e eficácia da molécula em humanos com lesão medular.
Pontos relevantes para o médico:
Ainda não se trata de terapia disponível na prática clínica.
Do ponto de vista neurobiológico, a polilaminina pode atuar em múltiplas frentes:
A matriz extracelular após lesão tende a se tornar inibitória ao crescimento axonal. A modulação dessa matriz pode favorecer regeneração.
A gliose reativa constitui barreira física e química à regeneração neural. Intervenções que alterem essa dinâmica são alvo de pesquisa há décadas.
Mesmo em lesões crônicas, há possibilidade de reorganização funcional se houver estímulo adequado.
Esses mecanismos ainda precisam ser confirmados em humanos.
Caso a eficácia seja comprovada, as implicações seriam amplas:
Entretanto, é fundamental reforçar que:
Diante da repercussão midiática, é provável que pacientes questionem seus médicos sobre a polilaminina.
Recomenda-se:
A comunicação clara e baseada em evidências é essencial para evitar frustração e desinformação.
O campo da medicina regenerativa aplicada à neurologia tem avançado rapidamente, envolvendo:
A polilaminina insere-se nesse contexto como uma proposta inovadora de origem nacional, com potencial de contribuição científica relevante.
O acompanhamento dos resultados do estudo clínico será determinante para definir seu papel futuro na prática médica.
A polilaminina representa uma inovação brasileira promissora no tratamento da lesão medular, com início de avaliação clínica autorizado por órgãos regulatórios nacionais. Embora os dados pré-clínicos sejam encorajadores, ainda é prematuro afirmar benefício terapêutico em humanos.
Para o médico, o momento exige:
A evolução dessa pesquisa poderá marcar um capítulo relevante na história da neuroregeneração.

Gabriel Henriques Amorim é médico (CRM-SP 272307), especialista em Educação na Saúde pela USP e residente de Medicina de Família e Comunidade no Hospital das Clínicas da FMUSP. No blog da Manole, compartilha conteúdos práticos, baseados em evidências, voltados para o dia a dia do cuidado em saúde.
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