Manejo clínico da dengue: guia prático
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A enxaqueca é uma das principais causas de incapacidade no mundo e figura entre os motivos mais frequentes de procura por atendimento ambulatorial e de urgência. Apesar disso, o manejo do episódio agudo ainda é heterogêneo, muitas vezes tardio e, não raro, baseado em condutas pouco eficazes ou associadas a risco de cronificação.
Compreender o tratamento agudo da enxaqueca em adultos é essencial para reduzir sofrimento, evitar uso excessivo de medicamentos e melhorar desfechos clínicos. Este artigo apresenta uma visão prática e baseada em evidências sobre o tema.
A enxaqueca é um transtorno neurológico episódico caracterizado por cefaleia de intensidade moderada a grave, geralmente unilateral, pulsátil, associada a náuseas, vômitos e hipersensibilidade à luz e ao som. A fisiopatologia envolve ativação do sistema trigeminovascular, liberação de peptídeos inflamatórios e disfunção dos mecanismos centrais de modulação da dor.
O reconhecimento precoce do quadro clínico é fundamental, pois a eficácia do tratamento está diretamente relacionada ao momento da intervenção.
O tratamento do episódio agudo tem como objetivo aliviar a dor e os sintomas associados, restaurar a funcionalidade e prevenir recorrência precoce. Algumas recomendações são centrais:
Esses princípios orientam a tomada de decisão clínica e reduzem falhas terapêuticas.
Em crises leves a moderadas, analgésicos simples e anti-inflamatórios não esteroidais são opções eficazes. Medicamentos como paracetamol, ácido acetilsalicílico, ibuprofeno, naproxeno e diclofenaco demonstram benefício na redução da dor e da incapacidade funcional.
A associação com medicamentos para náuseas pode aumentar a eficácia, especialmente em pacientes com sintomas gastrointestinais importantes. O uso deve ser criterioso para evitar cefaleia associada ao uso excessivo de medicamentos.
Em crises moderadas a graves, ou quando há falha dos analgésicos simples, os medicamentos específicos para enxaqueca são recomendados. Os agonistas serotoninérgicos seletivos demonstram elevada eficácia quando utilizados precocemente, atuando na modulação da dor e na inibição da liberação de mediadores inflamatórios.
Existem diferentes apresentações e vias de administração, o que permite individualizar o tratamento conforme o perfil do paciente e a gravidade da crise. A associação de um anti-inflamatório não esteroidal com um medicamento específico pode aumentar a taxa de resposta.
O uso de opioides e medicamentos barbitúricos não é recomendado no tratamento da enxaqueca. Além de menor eficácia, essas classes estão associadas a maior risco de cronificação da cefaleia, dependência e desenvolvimento de cefaleia por uso excessivo de medicamentos.
A educação do paciente e do profissional de saúde é parte essencial do cuidado e deve ser reforçada em todos os níveis de atenção.
Em crises refratárias, prolongadas ou com necessidade de atendimento hospitalar, podem ser utilizados esquemas parenterais, associados a hidratação venosa e medicamentos para controle de náuseas. Em casos selecionados, intervenções adjuvantes reduzem a recorrência precoce da dor.
A avaliação global do paciente, incluindo frequência das crises e impacto funcional, também deve levantar a necessidade de tratamento preventivo.
O manejo adequado da enxaqueca exige atualização constante, leitura crítica da evidência e integração entre neurologia, clínica médica e medicina de família. Avanços recentes ampliaram o arsenal terapêutico e reforçaram a importância da abordagem individualizada.
Aprofundar-se nesses conceitos é fundamental para médicos que desejam oferecer cuidado qualificado, seguro e alinhado à melhor evidência científica disponível.
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Gabriel Henriques Amorim é médico (CRM-SP 272307), especialista em Educação na Saúde pela USP e residente de Medicina de Família e Comunidade no Hospital das Clínicas da FMUSP. No blog da Manole, compartilha conteúdos práticos, baseados em evidências, voltados para o dia a dia do cuidado em saúde.
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