Anafilaxia: reconhecimento rápido e tratamento de emergência
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A dengue é uma doença infecciosa de grande relevância para a saúde pública no Brasil, com aumento progressivo de casos graves e óbitos nas últimas décadas. Nesse cenário, o manejo clínico adequado da dengue, com diagnóstico precoce, classificação correta do risco e tratamento oportuno, é fundamental para reduzir complicações e mortalidade.
Este guia foi elaborado para médicos que atuam na atenção primária, unidades de pronto atendimento e hospitais, reunindo os principais pontos do manejo clínico da dengue em adultos e crianças, conforme as recomendações atualizadas do Ministério da Saúde.
A dengue é uma doença viral transmitida por mosquitos, com espectro clínico variável, que pode evoluir desde quadros leves até formas graves, com sangramentos importantes, choque e comprometimento de órgãos.
A maioria dos óbitos por dengue está relacionada ao atraso no reconhecimento da gravidade e ao manejo inadequado da hidratação, especialmente durante a fase crítica da doença. Por isso, o acompanhamento clínico estruturado é a principal estratégia para evitar desfechos desfavoráveis.
O curso clínico da dengue é dividido em três fases principais:
Caracteriza-se por febre de início súbito, associada a sintomas como cefaleia, dor retro-orbitária, mialgia, artralgia e mal-estar geral. Pode durar de dois a sete dias.
Geralmente inicia-se com a remissão da febre. É o período de maior risco, quando podem surgir sinais de alarme, extravasamento de plasma, sangramentos e choque. A vigilância clínica deve ser intensificada nesse momento.
Ocorre após a fase crítica, com reabsorção gradual dos líquidos extravasados e melhora clínica progressiva.
A classificação de risco orienta o local de acompanhamento e o tipo de tratamento. Os pacientes são divididos em quatro grupos:
Pacientes clinicamente estáveis, sem comorbidades ou fatores de risco. O acompanhamento é ambulatorial, com hidratação oral e orientação rigorosa sobre sinais de alerta.
Inclui lactentes, gestantes, idosos e pessoas com doenças crônicas. Esses pacientes devem ser observados em unidade de saúde, com exames laboratoriais obrigatórios e reavaliação clínica frequente.
Caracteriza-se por dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, letargia, aumento progressivo do hematócrito ou queda abrupta das plaquetas. Requer internação hospitalar e hidratação venosa imediata.
Apresenta choque, sangramento grave ou comprometimento grave de órgãos. É uma emergência médica, com necessidade de tratamento intensivo e monitorização contínua.
Não existe tratamento antiviral específico para a dengue. O tratamento baseia-se principalmente na hidratação adequada, ajustada conforme a classificação clínica.
A monitorização clínica frequente e a reavaliação laboratorial são essenciais para ajustar a conduta e prevenir complicações.
Todos os pacientes com suspeita de dengue devem receber orientações claras sobre:
O uso do cartão de acompanhamento do paciente com suspeita de dengue é recomendado para garantir a continuidade do cuidado.
O manejo clínico da dengue exige atenção constante, especialmente durante a fase de remissão da febre, quando ocorre a maioria das complicações graves. A classificação correta do risco, a hidratação adequada e o acompanhamento clínico sistemático são as principais ferramentas para reduzir a morbimortalidade associada à doença.
Para o médico, dominar esses princípios é fundamental para oferecer um cuidado seguro, baseado em evidências e alinhado às diretrizes nacionais.
Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento de Doenças Transmissíveis. Dengue: diagnóstico e manejo clínico – adulto e criança. 6ª ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2024.

Gabriel Henriques Amorim é médico (CRM-SP 272307), especialista em Educação na Saúde pela USP e residente de Medicina de Família e Comunidade no Hospital das Clínicas da FMUSP. No blog da Manole, compartilha conteúdos práticos, baseados em evidências, voltados para o dia a dia do cuidado em saúde.
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