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Síncope: principais tipos, causas e as diferenças 

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Medicina de Família e Comunidade
Síncope: principais tipos, causas e as diferenças 

A síncope é definida como uma perda súbita, transitória e completa da consciência, associada à incapacidade de manter o tônus postural, com recuperação espontânea e rápida. O mecanismo fisiopatológico comum é a hipoperfusão cerebral transitória, geralmente causada por queda abrupta da pressão arterial, redução do débito cardíaco ou ambos. Esse quadro é frequente na prática clínica e representa milhões de atendimentos em serviços de emergência anualmente.

A correta identificação da etiologia da síncope é essencial para avaliar o risco do paciente e orientar a investigação diagnóstica e o manejo adequado. As diretrizes internacionais classificam a síncope em três categorias principais: síncope reflexa, síncope cardíaca e síncope por hipotensão ortostática.

 

Classificação dos principais tipos de síncope

A classificação atual, recomendada pelas diretrizes do American College of Cardiology, American Heart Association e Heart Rhythm Society, organiza a síncope de acordo com o mecanismo fisiopatológico predominante.

1. Síncope reflexa (neurorregulada)

A síncope reflexa, também chamada de neurorregulada, é o tipo mais comum de síncope. Ela ocorre devido a um reflexo autonômico que provoca vasodilatação e/ou bradicardia, resultando em redução transitória da perfusão cerebral.

As principais formas incluem:

  • Síncope vasovagal – a forma mais frequente, geralmente desencadeada por estresse emocional, dor, calor, ortostatismo prolongado ou ambiente fechado.
  • Síncope situacional – associada a situações específicas como tosse, micção, defecação, deglutição ou exercício.
  • Síndrome do seio carotídeo – ocorre após estímulos mecânicos na região do seio carotídeo, como uso de colar apertado ou rotação da cabeça.

Em geral, a síncope reflexa apresenta pródromos típicos, como náuseas, sudorese, tontura, palidez e visão turva. O prognóstico costuma ser benigno, especialmente em indivíduos jovens sem doença cardíaca estrutural.

 

2. Síncope cardíaca

A síncope cardíaca ocorre quando há redução abrupta do débito cardíaco, geralmente causada por arritmias ou doenças estruturais do coração. Esse tipo de síncope é particularmente importante porque está associado a maior risco de eventos adversos e mortalidade.

 

Arritmias

Podem provocar queda súbita do débito cardíaco, incluindo:

  • bradiarritmias (bloqueios atrioventriculares ou disfunção do nó sinusal)
  • taquiarritmias supraventriculares ou ventriculares

Doenças cardíacas estruturais

Entre as causas estruturais destacam-se:

  • estenose aórtica
  • miocardiopatia hipertrófica
  • cardiomiopatia dilatada
  • doença isquêmica cardíaca

Causas vasculares

Algumas condições vasculares graves também podem levar à síncope, como:

  • embolia pulmonar
  • dissecção de aorta

A síncope cardíaca frequentemente ocorre sem pródromos, podendo surgir durante esforço físico ou em posição supina. Por isso, esse tipo de síncope exige investigação rápida e cuidadosa.

3. Síncope por hipotensão ortostática

A síncope por hipotensão ortostática ocorre quando há queda significativa da pressão arterial ao assumir a posição ortostática, levando à redução da perfusão cerebral.

Ela pode ser causada por diferentes mecanismos, incluindo:

  • disfunção autonômica (primária ou secundária)
  • hipovolemia
  • uso de medicamentos

Entre os medicamentos frequentemente associados estão:

  • anti-hipertensivos
  • diuréticos
  • antidepressivos
  • vasodilatadores

O diagnóstico é sugerido pela presença de sintomas após a mudança para a posição em pé e confirmado pela queda da pressão arterial medida em ortostatismo.

Avaliação inicial do paciente com síncope

A avaliação diagnóstica da síncope deve começar com história clínica detalhada, exame físico e eletrocardiograma. Esses três elementos são considerados as etapas mais importantes da investigação inicial.

A anamnese deve explorar:

  • circunstâncias do episódio
  • presença de pródromos
  • duração da perda de consciência
  • tempo de recuperação
  • fatores desencadeantes
  • história de doença cardíaca prévia

O exame físico deve incluir:

  • avaliação cardiovascular
  • exame neurológico
  • medição da pressão arterial em ortostatismo

O eletrocardiograma é recomendado para todos os pacientes com síncope, pois pode revelar arritmias ou sinais de doença cardíaca estrutural.

 

Quando solicitar exames complementares

Exames adicionais devem ser solicitados com base nos achados clínicos e na estratificação de risco. Entre os exames que podem ser úteis em casos selecionados estão:

  • monitorização eletrocardiográfica prolongada
  • ecocardiografia
  • teste ergométrico
  • monitorização ambulatorial do ritmo cardíaco

Em geral, exames laboratoriais ou neuroimagem possuem utilidade limitada, devendo ser solicitados apenas quando há suspeita específica, como trauma craniano ou evento neurológico. Ferramentas de estratificação de risco, como o Canadian Syncope Risk Score, podem auxiliar na decisão sobre necessidade de hospitalização.

 

Prognóstico dos diferentes tipos de síncope

O prognóstico da síncope varia conforme sua etiologia.

  • Síncope reflexa – geralmente apresenta prognóstico favorável.
  • Síncope por hipotensão ortostática – costuma ter evolução benigna quando a causa é identificada e tratada.
  • Síncope cardíaca – está associada a maior risco de complicações e mortalidade, exigindo investigação rápida e manejo especializado.

A distinção entre esses tipos é fundamental para orientar a investigação diagnóstica e definir a conduta terapêutica adequada. A síncope é um sintoma comum na prática clínica e resulta de hipoperfusão cerebral transitória. A classificação em síncope reflexa, síncope cardíaca e síncope por hipotensão ortostática é fundamental para orientar o raciocínio diagnóstico e o manejo clínico.

A avaliação inicial baseada em história clínica, exame físico e eletrocardiograma permite identificar a maioria dos casos e selecionar os pacientes que necessitam investigação adicional. Entre os diferentes tipos, a síncope cardíaca merece atenção especial devido ao maior risco de eventos adversos.

Referências

  1. Shen WK, Sheldon RS, Benditt DG, et al. 2017 ACC/AHA/HRS Guideline for the Evaluation and Management of Patients With Syncope. Journal of the American College of Cardiology. 2017;70(5):e39-e110.
  2. Shen WK, Sheldon RS, Benditt DG, et al. 2017 ACC/AHA/HRS Guideline for the Evaluation and Management of Patients With Syncope. Heart Rhythm. 2017;14(8):e155-e217.
  3. Shen WK, Sheldon RS, Benditt DG, et al. Executive Summary: 2017 ACC/AHA/HRS Guideline for the Evaluation and Management of Patients With Syncope. Heart Rhythm. 2017;14(8):e218-e254.
  4. Bayard M, Gerayli F, Holt J. Syncope: Evaluation and Differential Diagnosis. American Family Physician.

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