Dosagem de vitaminas séricas: quando solicitar e quando suplementar
A solicitação de dosagem de vitaminas séricas é prática frequente na atenção primária e em especialidades clínicas. Entretanto, a evidência…
A síncope é definida como uma perda súbita, transitória e completa da consciência, associada à incapacidade de manter o tônus postural, com recuperação espontânea e rápida. O mecanismo fisiopatológico comum é a hipoperfusão cerebral transitória, geralmente causada por queda abrupta da pressão arterial, redução do débito cardíaco ou ambos. Esse quadro é frequente na prática clínica e representa milhões de atendimentos em serviços de emergência anualmente.
A correta identificação da etiologia da síncope é essencial para avaliar o risco do paciente e orientar a investigação diagnóstica e o manejo adequado. As diretrizes internacionais classificam a síncope em três categorias principais: síncope reflexa, síncope cardíaca e síncope por hipotensão ortostática.
A classificação atual, recomendada pelas diretrizes do American College of Cardiology, American Heart Association e Heart Rhythm Society, organiza a síncope de acordo com o mecanismo fisiopatológico predominante.
A síncope reflexa, também chamada de neurorregulada, é o tipo mais comum de síncope. Ela ocorre devido a um reflexo autonômico que provoca vasodilatação e/ou bradicardia, resultando em redução transitória da perfusão cerebral.
As principais formas incluem:
Em geral, a síncope reflexa apresenta pródromos típicos, como náuseas, sudorese, tontura, palidez e visão turva. O prognóstico costuma ser benigno, especialmente em indivíduos jovens sem doença cardíaca estrutural.
A síncope cardíaca ocorre quando há redução abrupta do débito cardíaco, geralmente causada por arritmias ou doenças estruturais do coração. Esse tipo de síncope é particularmente importante porque está associado a maior risco de eventos adversos e mortalidade.
Arritmias
Podem provocar queda súbita do débito cardíaco, incluindo:
Doenças cardíacas estruturais
Entre as causas estruturais destacam-se:
Causas vasculares
Algumas condições vasculares graves também podem levar à síncope, como:
A síncope cardíaca frequentemente ocorre sem pródromos, podendo surgir durante esforço físico ou em posição supina. Por isso, esse tipo de síncope exige investigação rápida e cuidadosa.
A síncope por hipotensão ortostática ocorre quando há queda significativa da pressão arterial ao assumir a posição ortostática, levando à redução da perfusão cerebral.
Ela pode ser causada por diferentes mecanismos, incluindo:
Entre os medicamentos frequentemente associados estão:
O diagnóstico é sugerido pela presença de sintomas após a mudança para a posição em pé e confirmado pela queda da pressão arterial medida em ortostatismo.
A avaliação diagnóstica da síncope deve começar com história clínica detalhada, exame físico e eletrocardiograma. Esses três elementos são considerados as etapas mais importantes da investigação inicial.
A anamnese deve explorar:
O exame físico deve incluir:
O eletrocardiograma é recomendado para todos os pacientes com síncope, pois pode revelar arritmias ou sinais de doença cardíaca estrutural.
Quando solicitar exames complementares
Exames adicionais devem ser solicitados com base nos achados clínicos e na estratificação de risco. Entre os exames que podem ser úteis em casos selecionados estão:
Em geral, exames laboratoriais ou neuroimagem possuem utilidade limitada, devendo ser solicitados apenas quando há suspeita específica, como trauma craniano ou evento neurológico. Ferramentas de estratificação de risco, como o Canadian Syncope Risk Score, podem auxiliar na decisão sobre necessidade de hospitalização.
O prognóstico da síncope varia conforme sua etiologia.
A distinção entre esses tipos é fundamental para orientar a investigação diagnóstica e definir a conduta terapêutica adequada. A síncope é um sintoma comum na prática clínica e resulta de hipoperfusão cerebral transitória. A classificação em síncope reflexa, síncope cardíaca e síncope por hipotensão ortostática é fundamental para orientar o raciocínio diagnóstico e o manejo clínico.
A avaliação inicial baseada em história clínica, exame físico e eletrocardiograma permite identificar a maioria dos casos e selecionar os pacientes que necessitam investigação adicional. Entre os diferentes tipos, a síncope cardíaca merece atenção especial devido ao maior risco de eventos adversos.

Gabriel Henriques Amorim é médico (CRM-SP 272307), especialista em Educação na Saúde pela USP e residente de Medicina de Família e Comunidade no Hospital das Clínicas da FMUSP. No blog da Manole, compartilha conteúdos práticos, baseados em evidências, voltados para o dia a dia do cuidado em saúde.
A solicitação de dosagem de vitaminas séricas é prática frequente na atenção primária e em especialidades clínicas. Entretanto, a evidência…
A suplementação proteica é amplamente utilizada por praticantes de treinamento de resistência com o objetivo de otimizar a hipertrofia muscular.…