Obesidade infantil
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O climatério e a menopausa representam fases fisiológicas da vida reprodutiva feminina, marcadas pela transição do período fértil para o não fértil. Apesar de naturais, essas etapas frequentemente cursam com sintomas que impactam de forma significativa a qualidade de vida, exigindo abordagem clínica qualificada, longitudinal e centrada na pessoa, especialmente no contexto da Atenção Primária à Saúde.
Este texto aborda os principais conceitos, manifestações clínicas e estratégias terapêuticas para o manejo do climatério e da menopausa, com base em evidências científicas e nas recomendações atuais para a prática médica.
O climatério corresponde ao período de transição biológica que antecede e sucede a menopausa, caracterizado por declínio progressivo da função ovariana e flutuações hormonais. Já a menopausa é definida clinicamente após doze meses consecutivos de amenorreia, sem outra causa identificável.
O início do climatério costuma ocorrer na quinta década de vida e pode se estender por vários anos, período no qual muitas mulheres apresentam sintomas de intensidade variável.
Os sintomas associados ao climatério e à menopausa são diversos e podem ser agrupados em categorias:
Ondas de calor e sudorese noturna são as manifestações mais frequentes, afetando até oitenta por cento das mulheres. Esses sintomas podem persistir por sete a oito anos, inclusive após a última menstruação, e estão associados a prejuízo do sono, da produtividade e do bem-estar geral.
A síndrome geniturinária da menopausa inclui ressecamento vaginal, ardor, prurido, dispareunia, disúria, urgência urinária e infecções urinárias recorrentes. Diferentemente dos sintomas vasomotores, essas manifestações tendem a ser progressivas quando não tratadas.
Alterações do humor, irritabilidade, sintomas depressivos, distúrbios do sono, redução da libido e queixas cognitivas também são frequentemente relatadas. Além disso, o hipoestrogenismo está associado a perda de massa óssea e aumento do risco de fraturas.
O diagnóstico da menopausa é essencialmente clínico e não requer exames laboratoriais de rotina. A avaliação deve incluir escuta qualificada, identificação dos sintomas predominantes, impacto funcional, expectativas da paciente e investigação de diagnósticos diferenciais, como disfunções tireoidianas ou condições psiquiátricas.
É fundamental realizar avaliação individualizada de riscos e benefícios antes da definição da estratégia terapêutica, utilizando a tomada de decisão compartilhada.
A terapia hormonal com estrogênio é o tratamento mais eficaz para sintomas vasomotores moderados a graves. Em mulheres com útero, é obrigatória a associação de progesterona para prevenção de hiperplasia e câncer endometrial.
As evidências atuais sustentam que a terapia hormonal pode ser oferecida preferencialmente a mulheres com menos de sessenta anos e dentro de dez anos do início dos sintomas, desde que não apresentem contraindicações, como histórico de tromboembolismo venoso, acidente vascular cerebral, doença arterial coronariana, sangramento vaginal inexplicado ou neoplasias sensíveis ao estrogênio.
A recomendação é utilizar a menor dose eficaz pelo menor tempo necessário, com reavaliações periódicas.
Para mulheres com contraindicação à terapia hormonal ou que optam por não utilizá-la, existem alternativas farmacológicas e não farmacológicas.
Entre os tratamentos medicamentosos, destacam-se antidepressivos que atuam na recaptação de serotonina ou noradrenalina, gabapentina, clonidina e antagonistas do receptor da neurocinina tipo três, que demonstraram redução significativa da frequência e intensidade das ondas de calor.
Intervenções não farmacológicas como terapia cognitivo-comportamental e hipnose clínica apresentam evidência de benefício na redução da percepção dos sintomas e na melhora do sono.
Lubrificantes e hidratantes vaginais sem hormônios são considerados tratamento de primeira linha para sintomas leves a moderados. Em casos persistentes ou mais intensos, o uso de estrogênio vaginal em baixas doses, desidroepiandrosterona intravaginal ou moduladores seletivos do receptor de estrogênio por via oral pode ser indicado.
Essas terapias apresentam absorção sistêmica mínima e bom perfil de segurança quando corretamente indicadas.
A Atenção Primária à Saúde é o cenário ideal para o cuidado longitudinal das mulheres no climatério e na menopausa. O acompanhamento contínuo permite não apenas o manejo dos sintomas, mas também a promoção da saúde óssea, cardiovascular e mental, além do fortalecimento do autocuidado e da autonomia da paciente.
O médico de família e comunidade exerce papel central na coordenação do cuidado, na educação em saúde e na redução da medicalização excessiva, garantindo uma abordagem integral e baseada em evidências.
O climatério e a menopausa não devem ser encarados apenas como eventos hormonais, mas como fases complexas do ciclo de vida feminino. O manejo adequado exige escuta ativa, avaliação individualizada e conhecimento atualizado das opções terapêuticas disponíveis.
A prática clínica baseada em evidências, aliada à decisão compartilhada, é fundamental para promover qualidade de vida e cuidado integral às mulheres nesse período.

Gabriel Henriques Amorim é médico (CRM-SP 272307), especialista em Educação na Saúde pela USP e residente de Medicina de Família e Comunidade no Hospital das Clínicas da FMUSP. No blog da Manole, compartilha conteúdos práticos, baseados em evidências, voltados para o dia a dia do cuidado em saúde.
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