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A amamentação é reconhecida como o padrão-ouro da alimentação infantil, com benefícios amplamente documentados para a saúde materna e neonatal. No entanto, existem situações clínicas específicas em que a amamentação é absoluta ou temporariamente contraindicada, exigindo do médico conhecimento atualizado para orientar adequadamente famílias e equipes multiprofissionais. Este artigo revisa as principais contraindicações à amamentação, os desafios clínicos mais frequentes, e discute as alternativas seguras, com ênfase no uso do leite humano doado pasteurizado.
As contraindicações absolutas à amamentação são raras, mas clinicamente relevantes. Entre elas, destacam-se:
Nessas situações, a amamentação deve ser evitada de forma definitiva, independentemente do contexto clínico ou social.
Algumas condições maternas exigem suspensão temporária da amamentação ou restrição ao seio acometido:
Nesses cenários, o manejo individualizado e o acompanhamento clínico são fundamentais para garantir segurança materno-infantil.
A maioria dos medicamentos utilizados no período pós-parto é compatível com a amamentação. Contudo, um número restrito de fármacos exige interrupção temporária ou definitiva, incluindo:
As principais sociedades científicas recomendam que o médico consulte bases de dados especializadas, como o LactMed, para avaliar risco, farmacocinética e alternativas terapêuticas seguras antes de orientar a suspensão da amamentação.
Mesmo na ausência de contraindicações formais, a amamentação enfrenta desafios comuns que podem levar ao desmame precoce não desejado, entre eles:
As diretrizes reforçam que a intervenção precoce, com suporte em lactação e abordagem multiprofissional, é essencial para prevenir a interrupção precoce da amamentação.
Amamentação e uso de substâncias
O uso de substâncias ilícitas representa um desafio específico. O uso ativo e contínuo, especialmente em contexto de policonsumo, é considerado contraindicação à amamentação devido ao risco imprevisível de sedação, toxicidade ou efeitos neurológicos no lactente.
Em relação à hepatite C, a amamentação é permitida, exceto quando houver fissuras ou sangramento nos mamilos, situações que aumentam o risco de transmissão.
Quando a amamentação é contraindicada ou inviável, duas alternativas são consideradas seguras:
A escolha deve considerar o contexto clínico do lactente, a disponibilidade institucional e as condições socioeconômicas da família.
Segundo a Academia Americana de Pediatria, o leite humano doado pasteurizado é a alternativa preferencial ao leite materno da própria mãe, especialmente para recém-nascidos de muito baixo peso ao nascer (VLBW).
A principal justificativa para essa recomendação é a redução consistente do risco de enterocolite necrosante (NEC) quando comparado à fórmula para prematuros. Esse benefício é sustentado por evidência de alta certeza proveniente de ensaios clínicos randomizados e revisões sistemáticas.
O processo de pasteurização reduz parte dos componentes bioativos do leite humano, o que explica por que o leite doado:
Ainda assim, permanece superior à fórmula na prevenção de NEC. Na prática clínica, o leite doado é frequentemente utilizado como estratégia de transição até que a produção materna seja estabelecida.
O leite humano doado geralmente requer fortificação, especialmente para atender às necessidades nutricionais de prematuros. A segurança é garantida por protocolos rigorosos de triagem de doadoras, pasteurização (método Holder) e controle de qualidade.
Apesar disso, persistem desigualdades de acesso, relacionadas a custo, disponibilidade e infraestrutura hospitalar, particularmente fora de unidades de terapia intensiva neonatal.
O manejo da amamentação exige do médico uma abordagem baseada em evidências, sensível ao contexto clínico e social. Embora as contraindicações absolutas sejam raras, seu reconhecimento é essencial para evitar riscos ao lactente. Quando a amamentação não é possível, o leite humano doado pasteurizado representa a melhor alternativa disponível, especialmente para recém-nascidos de alto risco, reforçando a importância de políticas institucionais que ampliem seu acesso de forma segura e equitativa.

Gabriel Henriques Amorim é médico (CRM-SP 272307), especialista em Educação na Saúde pela USP e residente de Medicina de Família e Comunidade no Hospital das Clínicas da FMUSP. No blog da Manole, compartilha conteúdos práticos, baseados em evidências, voltados para o dia a dia do cuidado em saúde.
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