Climatério e menopausa: manejo clínico baseado em evidências
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A anemia ferropriva permanece como uma das condições hematológicas mais prevalentes na prática clínica, atravessando diferentes especialidades médicas. Embora o ferro oral seja a estratégia inicial na maioria dos casos, há cenários clínicos bem definidos em que a reposição de ferro por via endovenosa se mostra superior, mais eficaz e clinicamente necessária.
Este artigo revisa as principais indicações do ferro endovenoso, com base em diretrizes internacionais e evidências recentes, auxiliando o médico na tomada de decisão individualizada.
A intolerância gastrointestinal ao ferro oral caracterizada por náuseas, dor abdominal, constipação ou diarreia é uma das principais causas de abandono do tratamento. Além disso, mesmo em pacientes aderentes, pode ocorrer falha terapêutica, definida como ausência de elevação da hemoglobina ≥ 1 g/dL após 2 a 4 semanas de uso adequado.
Nesses contextos, o ferro endovenoso permite contornar limitações de absorção e adesão, promovendo reposição mais previsível e eficaz dos estoques de ferro.
Pacientes com cirurgia bariátrica, doença inflamatória intestinal ativa ou outras síndromes de má absorção apresentam resposta limitada ao ferro oral. A inflamação intestinal e alterações anatômicas comprometem a absorção do ferro, tornando a via endovenosa a opção preferencial nesses cenários.
As diretrizes da American Gastroenterological Association destacam que, nesses casos, insistir no ferro oral frequentemente resulta em atraso terapêutico e manutenção da anemia.
Necessidade de correção rápida da anemia
Há situações clínicas em que a correção rápida da anemia e da deficiência de ferro é desejável ou necessária, como:
O ferro endovenoso possibilita a administração de doses elevadas em curto intervalo de tempo, com resposta hematológica mais rápida quando comparado ao ferro oral.
Em condições associadas a perda crônica de ferro, como sangramentos persistentes ou telangiectasia hemorrágica hereditária, a reposição oral frequentemente é insuficiente para compensar as perdas contínuas.
Nesses pacientes, o ferro endovenoso permite manter estoques adequados e reduzir a recorrência da anemia, sendo frequentemente utilizado como estratégia de manutenção.
Na doença renal crônica, especialmente em pacientes em diálise ou em uso de agentes estimuladores da eritropoiese, o ferro endovenoso é a via preferencial de reposição. A inflamação crônica, a redução da absorção intestinal e o aumento das demandas hematopoiéticas justificam essa escolha.
Diretrizes internacionais reforçam que o ferro endovenoso melhora a resposta à eritropoietina e reduz a necessidade de doses elevadas desses agentes.
A deficiência de ferro é comum em pacientes com insuficiência cardíaca, mesmo na ausência de anemia. Estudos demonstram melhora funcional, da capacidade de exercício e da qualidade de vida com a reposição de ferro endovenoso nesses pacientes.
Essa evidência levou à aprovação do uso do ferro endovenoso para essa indicação pelo FDA nos Estados Unidos, reforçando seu papel além da simples correção da hemoglobina.
Considerações sobre segurança e escolha da formulação
A escolha da formulação de ferro endovenoso deve considerar o déficit total de ferro, a possibilidade de administração em dose única (geralmente entre 500 e 1000 mg, dependendo do produto) e o perfil de segurança.
Embora eventos adversos sejam raros, a administração deve ocorrer em ambiente monitorado. Reações infusionais e hipofosfatemia, particularmente associada à carboximaltose férrica, merecem atenção clínica, especialmente em esquemas de doses repetidas.
O que dizem as diretrizes
A American Gastroenterological Association recomenda que a decisão pelo ferro endovenoso seja baseada em quatro pilares:
A Sociedade Americana de Hematologia reforça seu papel em estratégias de manejo de sangue e em pacientes com necessidades crônicas de reposição.
O ferro endovenoso não deve ser visto apenas como alternativa ao ferro oral, mas como uma ferramenta terapêutica essencial em cenários específicos. Reconhecer suas indicações permite correção mais eficaz da anemia ferropriva, redução de morbidade e melhora funcional em diversas condições clínicas.
Nos próximos conteúdos, aprofundaremos as diferenças de eficácia e segurança entre as principais formulações de ferro endovenoso, incluindo o risco de hipofosfatemia e suas implicações clínicas.

Gabriel Henriques Amorim é médico (CRM-SP 272307), especialista em Educação na Saúde pela USP e residente de Medicina de Família e Comunidade no Hospital das Clínicas da FMUSP. No blog da Manole, compartilha conteúdos práticos, baseados em evidências, voltados para o dia a dia do cuidado em saúde.
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