Descolamento da placenta: sintomas, diagnóstico, tratamento e riscos materno-fetais
Introdução O descolamento da placenta é uma emergência obstétrica potencialmente grave, associada a importante aumento da morbidade materna e da…
A dor abdominal na gestação é uma queixa comum, mas exige avaliação cuidadosa. Durante a gravidez, alterações anatômicas e fisiológicas podem modificar a apresentação clínica de várias doenças, dificultando a diferenciação entre causas benignas, obstétricas, ginecológicas, urinárias e gastrointestinais.
A avaliação deve considerar sempre dois pacientes: a gestante e o feto. Por isso, a investigação precisa equilibrar segurança materna, bem-estar fetal, risco de atraso diagnóstico e necessidade de intervenções urgentes.
Segundo o BMJ Best Practice, a dor abdominal na gestação pode decorrer de causas fisiológicas, como contrações de Braxton-Hicks e dor no ligamento redondo, mas causas patológicas devem ser cuidadosamente excluídas antes de atribuir o quadro a alterações próprias da gravidez.
Por que a dor abdominal na gestação é um desafio diagnóstico?
A gravidez altera a anatomia abdominal, a resposta inflamatória, os parâmetros laboratoriais e até a localização da dor. Com o crescimento uterino, órgãos intra-abdominais podem ser deslocados, e sinais clássicos de irritação peritoneal podem ficar menos evidentes.
Além disso, a gestação pode dificultar a decisão sobre exames de imagem, anestesia, medicamentos e procedimentos invasivos. O receio de expor o feto a riscos pode atrasar exames ou intervenções, mas esse atraso também pode aumentar morbidade materna e fetal.
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Desafio |
Consequência prática |
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Deslocamento anatômico dos órgãos |
A localização da dor pode ser atípica |
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Frouxidão da parede abdominal |
Defesa e descompressão brusca podem ser menos evidentes |
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Leucocitose fisiológica |
Hemograma pode ser menos específico |
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Presença do feto |
Exige avaliar risco-benefício de exames e tratamentos |
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Sobreposição de inervação visceral |
Dor ginecológica e gastrointestinal podem se confundir |
Um exemplo importante é a apendicite na gestação. O BMJ Best Practice ilustra que a posição do apêndice muda conforme a gravidez evolui, o que pode alterar a localização da dor e dificultar o diagnóstico clínico.
Nem toda dor abdominal na gestação indica doença grave. Algumas causas são fisiológicas e tendem a ser autolimitadas.
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Causa fisiológica |
Característica principal |
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Contrações de Braxton-Hicks |
Contrações uterinas esporádicas, mais comuns no 2º e 3º trimestres |
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Dor no ligamento redondo |
Dor aguda em abdome ou pelve, associada ao alongamento dos ligamentos uterinos |
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Desconforto mecânico |
Relacionado ao crescimento uterino e distensão de estruturas pélvicas |
As contrações de Braxton-Hicks podem ser desconfortáveis, mas geralmente não causam dor progressiva nem dilatação cervical. A dor no ligamento redondo costuma melhorar com repouso.
O ponto-chave é: diagnóstico fisiológico deve ser feito com cautela, especialmente se houver sinais sistêmicos, sangramento, febre, instabilidade, contrações regulares ou alteração fetal.
As causas podem ser organizadas de acordo com o momento da gravidez e o sistema acometido.
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Diagnóstico |
Pistas clínicas |
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Gravidez ectópica |
Dor em baixo ventre, com ou sem sangramento vaginal, geralmente no 1º trimestre |
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Aborto espontâneo |
Dor suprapúbica, contrações uterinas e sangramento vaginal, geralmente antes de 12 semanas |
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Síndrome da hiperestimulação ovariana |
Ovários aumentados, ascite, alterações renais/hepáticas, contexto de reprodução assistida |
A gravidez ectópica é uma das principais emergências do início da gestação. Está associada a fatores que danificam as tubas uterinas, como doença inflamatória pélvica, gravidez ectópica prévia e cirurgia tubária anterior. Também pode ocorrer em usuárias de DIU e após técnicas de reprodução assistida.
Quando há teste de gravidez positivo e ausência de gestação intrauterina na ultrassonografia transvaginal, a paciente deve ser considerada portadora de gravidez ectópica até que se prove o contrário.
O aborto espontâneo geralmente ocorre antes da 12ª semana. Pode cursar com dor suprapúbica, sangramento vaginal e eliminação de coágulos. A ultrassonografia transvaginal é essencial para avaliar viabilidade gestacional.
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Diagnóstico |
Pistas clínicas |
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Trabalho de parto prematuro |
Dor abdominal recorrente com contrações entre 20 e 37 semanas |
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Descolamento da placenta |
Dor abdominal e/ou sangramento vaginal na segunda metade da gestação |
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Ruptura uterina |
Dor abdominal, sangramento e risco de choque, especialmente com cicatriz uterina prévia |
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Corioamnionite |
Infecção intra-amniótica, associada a febre e parto prematuro |
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Síndrome HELLP |
Dor abdominal, enzimas hepáticas elevadas, hemólise e plaquetopenia |
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Esteatose hepática aguda da gravidez |
Condição rara e grave, mais comum no terceiro trimestre |
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Encarceramento do útero gravídico |
Útero preso na pelve, geralmente no segundo trimestre |
O descolamento da placenta ocorre na segunda metade da gestação e costuma estar associado a sangramento vaginal e/ou dor abdominal. O útero pode estar sensível ou endurecido à palpação.
É uma emergência obstétrica porque pode causar hemorragia, coagulação intravascular disseminada e sofrimento fetal. Em casos graves, com comprometimento materno ou fetal, pode ser necessário parto urgente.
A ruptura uterina é uma emergência grave, especialmente em pacientes com história de cirurgia uterina, como cesárea prévia ou miomectomia. Pode causar hemorragia intra-abdominal maciça, morte fetal e risco materno elevado.
Como o tempo é crítico, o diagnóstico muitas vezes é clínico, e a cesárea urgente pode ser necessária.
A síndrome HELLP é caracterizada por hemólise, enzimas hepáticas elevadas e plaquetopenia. O BMJ Best Practice descreve a condição como uma forma grave de pré-eclâmpsia, às vezes chamada de pré-eclâmpsia atípica.
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Causa |
Características |
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Massa anexial |
Pode ser assintomática ou causar dor, sobretudo se houver torção, ruptura ou hemorragia |
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Torção anexial |
Dor aguda, mais comum à direita e mais frequente na gestação |
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Cisto ovariano roto |
Dor súbita, podendo se associar a vômitos e sinais de choque |
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Cisto de corpo lúteo hemorrágico |
Pode causar sangramento intraperitoneal |
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Miomas uterinos |
Dor por degeneração vermelha, torção de mioma pediculado ou impactação |
A torção anexial exige atenção especial porque a redução do fluxo sanguíneo pode levar a congestão, edema, isquemia e necrose. Lesões anexiais podem se tornar irreversíveis se não forem identificadas e tratadas rapidamente.
Durante a gestação, o trato urinário sofre alterações importantes, como dilatação ureteral, estase urinária e maior risco de infecção ascendente. Isso aumenta a chance de ITU sintomática e nefrolitíase.
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Diagnóstico |
Pistas clínicas |
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Cistite aguda |
Disúria, urgência, polaciúria, dor suprapúbica |
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Pielonefrite aguda |
Febre, dor em flanco, náuseas, vômitos, sensibilidade em ângulo costovertebral |
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Nefrolitíase |
Dor em flanco, irradiação para virilha, hematúria, inquietação |
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Hidronefrose aguda |
Dor por obstrução ureteral, geralmente após 20 semanas |
A pielonefrite é mais comum na segunda metade da gravidez, geralmente unilateral e mais frequente no rim direito. Pode causar sepse, insuficiência renal aguda, síndrome do desconforto respiratório e parto prematuro.
Por isso, a hospitalização e o tratamento com antibiótico intravenoso são necessários em casos de pielonefrite aguda na gestação.
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Causa |
Pistas clínicas |
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Apendicite |
Dor abdominal, náuseas, febre; localização pode mudar com a idade gestacional |
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Colecistite |
Dor em quadrante superior direito, frequentemente associada a colelitíase |
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Pancreatite |
Dor abdominal com irradiação para dorso, podendo ocorrer no fim do terceiro trimestre |
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Obstrução intestinal |
Dor em cólica, distensão, vômitos e parada de eliminação de gases/fezes |
A apendicite não tem um único sintoma, sinal ou exame laboratorial diagnóstico. A avaliação clínica é fundamental para decidir sobre manejo cirúrgico.
A dificuldade diagnóstica aumenta conforme o útero desloca estruturas abdominais. A demora no diagnóstico e a perfuração do apêndice estão associadas a maior morbidade materna e fetal. Se houver suspeita de apendicite, deve-se obter avaliação cirúrgica imediata.
A colecistite na gestação é causada por colelitíase em mais de 90% dos casos. O risco de cálculo biliar aumenta por alterações hormonais: a progesterona favorece estase biliar, e o estrogênio aumenta a litogenicidade da bile.
O BMJ Best Practice destaca que o manejo não cirúrgico da colecistite aguda foi associado a desfechos gestacionais adversos, enquanto a abordagem laparoscópica precoce foi associada a menor risco de complicações fetais.
Na gestação, a pancreatite pode estar relacionada a colelitíase e hipertrigliceridemia. Costuma ocorrer no final do terceiro trimestre e pode evoluir rapidamente para formas graves.
As causas traumáticas não devem ser negligenciadas. Trauma contuso pode causar descolamento de placenta, ruptura uterina, lesão fetal e ruptura esplênica. O BMJ Best Practice destaca que, em trauma grave, o monitoramento fetal deve ser iniciado rapidamente e o especialista apropriado deve ser consultado.
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Causa traumática |
Possível consequência |
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Acidente automobilístico |
Trauma materno e fetal |
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Queda |
Lesão abdominal ou obstétrica |
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Violência doméstica |
Trauma abdominal, ruptura esplênica, descolamento de placenta |
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Fratura pélvica |
Risco de lesão fetal direta |
Alguns achados exigem avaliação imediata.
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Sinal de alerta |
Possível significado |
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Instabilidade hemodinâmica |
Hemorragia, sepse, ruptura uterina, gravidez ectópica rota |
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Sangramento vaginal |
Aborto, gravidez ectópica, descolamento de placenta, ruptura uterina |
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Dor intensa súbita |
Torção anexial, ruptura de cisto, ruptura uterina, abdome agudo |
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Febre |
Pielonefrite, corioamnionite, apendicite, colecistite |
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Contrações regulares |
Trabalho de parto prematuro |
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Redução ou alteração do bem-estar fetal |
Descolamento, ruptura uterina, sofrimento fetal |
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Dor em flanco com sintomas urinários |
Pielonefrite ou nefrolitíase |
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Dor epigástrica ou em hipocôndrio direito |
HELLP, doença hepatobiliar, pancreatite |
A abordagem deve começar com história clínica, determinação precisa da idade gestacional e avaliação materno-fetal.
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Etapa |
Conduta |
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1. Avaliar estabilidade |
Sinais vitais, perfusão, dor, sangramento |
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2. Definir idade gestacional |
A apresentação muda conforme a fase da gestação |
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3. Caracterizar a dor |
Início, duração, localização, intensidade, irradiação |
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4. Avaliar sintomas associados |
Febre, vômitos, sangramento, disúria, contrações |
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5. Avaliar o feto |
Frequência cardíaca fetal, atividade fetal e CTG quando indicado |
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6. Solicitar exames conforme fase gestacional |
Beta-hCG, hemograma, urinálise, função hepática, coagulograma |
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7. Escolher imagem adequada |
Ultrassonografia, RNM ou, em situações selecionadas, radiografia/TC |
A anamnese deve caracterizar a dor e buscar fatores obstétricos, ginecológicos, urinários e gastrointestinais.
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Pergunta |
O que ajuda a identificar |
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Qual a idade gestacional? |
Direciona hipóteses conforme trimestre |
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Quando a dor começou? |
Dor súbita sugere torção, ruptura ou cálculo |
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Onde dói? |
Flanco, hipocôndrio, quadrante inferior, suprapúbica |
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A dor irradia? |
Para dorso, virilha ou ombro |
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Há sangramento vaginal? |
Aborto, ectópica, descolamento, ruptura uterina |
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Há contrações? |
Trabalho de parto prematuro |
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Há febre ou calafrios? |
Infecção urinária alta, corioamnionite, apendicite |
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Há sintomas urinários? |
Cistite, pielonefrite, nefrolitíase |
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Há náuseas e vômitos intensos? |
Pancreatite, obstrução, pielonefrite, SHEO |
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Houve trauma? |
Descolamento, ruptura uterina, lesão esplênica |
Após os sinais vitais, o exame abdominal deve avaliar altura do fundo uterino, consistência e sensibilidade uterina, posição e encaixe da apresentação fetal e frequência cardíaca fetal.
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Avaliação |
Objetivo |
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Sinais vitais |
Identificar instabilidade, febre ou choque |
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Palpação uterina |
Avaliar hipertonia, dor uterina ou contrações |
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Abdome |
Localizar dor e sinais peritoneais |
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Decúbito lateral |
Ajuda a diferenciar dor intrauterina de extrauterina |
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Exame pélvico |
Avaliar colo, anexos e origem uterina da dor |
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Cardiotocografia |
Avaliar contrações e bem-estar fetal |
A CTG é especialmente importante em suspeita de descolamento da placenta, ruptura uterina e trauma contuso.
Os exames variam conforme a idade gestacional.
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Exame |
Finalidade |
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Beta-hCG sérico |
Exame inicial em gestantes com dor abdominal antes de 20 semanas |
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Ultrassonografia transvaginal |
Confirmar ou excluir gestação intrauterina |
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Hemograma completo |
Avaliar hemoglobina, plaquetas e hematócrito |
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Tipagem e rastreamento |
Necessários em sangramento vaginal ou suspeita de hemorragia |
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Eletrólitos, função hepática e coagulograma |
Considerar se houver suspeita de SHEO |
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Exame |
Finalidade |
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Hemograma completo |
Avaliar anemia, plaquetas e hematócrito |
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Tipagem e rastreamento |
Recomendados para gestantes com dor abdominal no fim da gestação |
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Eletrólitos séricos |
Avaliação metabólica |
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Testes de função hepática |
Avaliar HELLP e esteatose hepática aguda da gravidez |
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Coagulograma |
Importante em descolamento, ruptura uterina e HELLP |
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Urinálise |
Deve ser incluída na avaliação inicial de todas as gestantes com dor abdominal |
A interpretação dos exames deve considerar as alterações fisiológicas da gravidez, como hemodiluição, leucocitose gestacional, mudanças nos testes hepáticos e trombocitopenia gestacional leve.
A escolha do exame deve considerar segurança fetal e risco de atraso diagnóstico.
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Exame |
Papel na gestação |
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Ultrassonografia abdominal/pélvica |
Exame inicial mais usado pela segurança |
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Ultrassonografia transvaginal |
Método de escolha no início da gestação, especialmente para ectópica e aborto |
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Ultrassonografia renal |
Indicada em dor abdominal ou dorsalgia com suspeita urinária |
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RNM sem contraste |
Preferível à TC quando necessária investigação adicional |
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Radiografia abdominal |
Rara, mas pode ser necessária em obstrução intestinal ou nefrolitíase |
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TC de abdome |
Pode ser indicada quando risco materno supera risco fetal, como em pancreatite necrótica, apendicite incerta ou ruptura esplênica |
A ultrassonografia é útil para avaliar vesícula biliar, pâncreas, rins, idade gestacional, atividade cardíaca fetal, atividade fetal e líquido amniótico. No entanto, sua sensibilidade pode ser limitada, especialmente para apendicite. Se a suspeita clínica permanecer alta, a RNM deve ser considerada.
A RNM sem contraste é uma alternativa adequada para gestantes com dor em quadrante inferior direito, febre, leucocitose e suspeita de apendicite. O BMJ Best Practice relata sensibilidade de 91,8% e especificidade de 97,9% para diagnóstico de apendicite aguda em gestantes com suspeita clínica.
O diagnóstico diferencial é amplo. A tabela abaixo resume as principais causas descritas pelo BMJ Best Practice.
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Grupo |
Diagnósticos |
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Obstétricas iniciais |
Aborto espontâneo, gravidez ectópica, síndrome da hiperestimulação ovariana |
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Obstétricas tardias |
Trabalho de parto prematuro, descolamento da placenta, ruptura uterina, HELLP, esteatose hepática aguda |
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Ginecológicas |
Massa anexial, torção anexial, cisto ovariano roto, cisto hemorrágico, miomas |
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Urológicas |
Cistite, pielonefrite, nefrolitíase, hidronefrose |
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Gastrointestinais |
Apendicite, colecistite, pancreatite, obstrução intestinal |
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Traumáticas |
Ruptura esplênica, descolamento placentário pós-trauma |
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Musculoesqueléticas |
Hematoma da bainha do reto |
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Momento da gestação |
Diagnósticos que merecem atenção |
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1º trimestre |
Gravidez ectópica, aborto espontâneo, SHEO, massa anexial, torção anexial |
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2º trimestre |
Apendicite, pielonefrite, nefrolitíase, miomas com degeneração, encarceramento uterino |
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3º trimestre |
Trabalho de parto prematuro, descolamento da placenta, ruptura uterina, HELLP, esteatose hepática, pancreatite |
Essa divisão ajuda o raciocínio, mas não substitui avaliação individual: algumas condições podem ocorrer em mais de uma fase da gestação.
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Suspeita clínica |
Especialista/conduta |
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Gravidez ectópica rota |
Ginecologia/obstetrícia com abordagem urgente |
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Descolamento de placenta |
Obstetrícia e avaliação fetal imediata |
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Ruptura uterina |
Obstetrícia, cirurgia de emergência e suporte transfusional |
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HELLP ou esteatose hepática aguda |
Obstetrícia de alto risco, avaliação materno-fetal e parto conforme gravidade |
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Torção anexial |
Ginecologia cirúrgica |
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Pielonefrite |
Internação e antibiótico intravenoso |
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Apendicite |
Cirurgia geral imediata |
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Colecistite aguda |
Avaliação cirúrgica urgente |
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Trauma grave |
Equipe de trauma, obstetrícia e monitoramento fetal |
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Etapa |
Pergunta-chave |
Conduta |
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1 |
A paciente está estável? |
Avaliar sinais vitais, sangramento, choque e sepse |
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2 |
Qual a idade gestacional? |
Separar hipóteses de início e final da gestação |
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3 |
Há sangramento vaginal? |
Pensar em aborto, ectópica, descolamento ou ruptura |
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4 |
Há febre ou sintomas urinários? |
Investigar ITU, pielonefrite e causas infecciosas |
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5 |
Há contrações? |
Avaliar trabalho de parto prematuro |
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6 |
Há dor localizada intensa? |
Pensar em torção, apendicite, cálculo ou colecistite |
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7 |
Como está o feto? |
Avaliar frequência cardíaca fetal e CTG quando indicado |
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8 |
Qual imagem é mais segura e útil? |
Ultrassonografia inicialmente; RNM se necessário |
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9 |
Há risco de atraso diagnóstico? |
Não adiar intervenção quando condição grave é provável |
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Pergunta |
Resposta prática |
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Dor abdominal na gestação é sempre fisiológica? |
Não. Causas patológicas devem ser excluídas antes |
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Qual exame de imagem costuma ser inicial? |
Ultrassonografia abdominal/pélvica |
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Qual exame é preferível à TC quando necessário? |
RNM, geralmente sem contraste |
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Toda dor antes de 20 semanas exige beta-hCG? |
Sim, o beta-hCG sérico é exame inicial nesse contexto |
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Urinálise é importante? |
Sim, deve ser incluída nas investigações iniciais |
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CTG é útil quando? |
Descolamento, ruptura uterina, contrações, trauma e avaliação fetal |
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Leucocitose confirma infecção? |
Não necessariamente, pois pode ocorrer na gestação normal |
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Apendicite pode ter apresentação atípica? |
Sim, pela mudança da posição do apêndice |
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Quando acionar cirurgia? |
Suspeita de apendicite, colecistite aguda, torção anexial, ruptura ou instabilidade |
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O risco fetal impede exames com radiação? |
Não sempre. O risco de atraso diagnóstico também deve ser considerado |
A dor abdominal na gestação exige avaliação sistemática, porque a apresentação clínica pode ser alterada pelas mudanças anatômicas e fisiológicas da gravidez. Embora existam causas fisiológicas, como Braxton-Hicks e dor no ligamento redondo, o médico deve excluir diagnósticos potencialmente graves antes de tranquilizar a paciente.
A avaliação começa pela idade gestacional, estabilidade materna, caracterização da dor, sintomas associados e bem-estar fetal. Os exames laboratoriais e de imagem devem ser escolhidos conforme a fase da gestação e a suspeita clínica, com destaque para beta-hCG no início da gestação, urinálise, hemograma, testes hepáticos, coagulograma, ultrassonografia e, quando necessário, RNM.
Na dúvida, especialmente diante de dor intensa, febre, sangramento vaginal, instabilidade, contrações regulares ou alteração fetal, a avaliação especializada deve ser precoce. O objetivo é evitar tanto a intervenção desnecessária quanto o atraso no diagnóstico de condições potencialmente fatais para a gestante e para o feto.
Referência bibliográfica: BMJ Best Practice. Avaliação de dor abdominal na gestação. Última atualização: 08 jul. 2026.

Gabriel Henriques Amorim é médico (CRM-SP 272307), especialista em Educação na Saúde pela USP e residente de Medicina de Família e Comunidade no Hospital das Clínicas da FMUSP. No blog da Manole, compartilha conteúdos práticos, baseados em evidências, voltados para o dia a dia do cuidado em saúde.
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