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Gastroenterite viral aguda em adultos: diagnóstico, manejo clínico e orientações práticas

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Medicina de Família e Comunidade
Gastroenterite viral aguda em adultos: diagnóstico, manejo clínico e orientações práticas

A gastroenterite viral aguda em adultos é uma das causas mais frequentes de diarreia aguda no mundo, sendo responsável por grande número de atendimentos ambulatoriais, afastamentos do trabalho e internações evitáveis. Apesar de geralmente autolimitada, a condição pode cursar com desidratação significativa, especialmente em idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas.

Este artigo aborda os principais aspectos do diagnóstico, da avaliação clínica e do manejo da gastroenterite viral aguda em adultos, com foco em uma prática médica baseada em evidências.

O que é a gastroenterite viral aguda

A gastroenterite viral aguda é uma infecção do trato gastrointestinal causada por vírus entéricos, caracterizada principalmente por diarreia de início súbito, associada ou não a náuseas, vômitos, dor abdominal e febre. Em adultos, os agentes mais comuns são norovírus, rotavírus, astrovírus e adenovírus entéricos.

A transmissão ocorre predominantemente pela via fecal-oral, seja por contato direto entre pessoas, ingestão de alimentos ou água contaminados, ou por superfícies contaminadas. Ambientes fechados, como hospitais, instituições de longa permanência e cruzeiros, favorecem surtos.

Manifestações clínicas mais frequentes

Em adultos imunocompetentes, o quadro clínico costuma iniciar-se de forma abrupta, com predominância de:

  • Diarreia aquosa, sem sangue ou muco
  • Náuseas e vômitos
  • Dor abdominal tipo cólica
  • Febre baixa ou ausência de febre
  • Mal-estar geral e mialgia

A duração habitual dos sintomas varia entre um e três dias, podendo estender-se por até uma semana em alguns casos.

A presença de sangue nas fezes, febre alta persistente, dor abdominal intensa ou sinais de toxicidade sistêmica sugere diagnóstico alternativo e deve motivar investigação adicional.

Avaliação clínica e diagnóstico

O diagnóstico da gastroenterite viral aguda em adultos é essencialmente clínico. A história de início súbito, associação com outros casos semelhantes e ausência de sinais de gravidade costuma ser suficiente para definição diagnóstica.

Exames laboratoriais de rotina não são necessários na maioria dos casos. A investigação etiológica específica é reservada para situações selecionadas, como:

  • Pacientes imunossuprimidos
  • Quadros graves ou prolongados
  • Suspeita de surtos institucionais
  • Internações hospitalares
  • Falha terapêutica ou evolução atípica

A realização de exames de fezes não é recomendada de forma rotineira em adultos previamente saudáveis com quadro típico.

Avaliação do estado de hidratação

A avaliação do estado de hidratação é o ponto central do atendimento. Sinais clínicos de desidratação incluem:

  • Redução do turgor cutâneo
  • Mucosas secas
  • Oligúria
  • Taquicardia
  • Hipotensão ortostática
  • Alteração do nível de consciência, em casos mais graves

Pacientes idosos podem apresentar sinais menos evidentes, exigindo atenção redobrada.

Manejo clínico da gastroenterite viral aguda

Reidratação como pilar do tratamento

A reposição hídrica é a principal intervenção terapêutica. Sempre que possível, a reidratação deve ser realizada por via oral, com soluções de reidratação apropriadas, que contenham equilíbrio adequado de eletrólitos e glicose.

A via intravenosa é reservada para pacientes com desidratação moderada a grave, vômitos incoercíveis ou incapacidade de ingestão oral.

Alimentação durante o quadro agudo

A retomada da alimentação deve ser precoce, conforme a tolerância do paciente. Não há benefício comprovado em dietas restritivas prolongadas. Recomenda-se:

  • Manter alimentação leve e fracionada
  • Evitar alimentos ricos em gordura ou açúcares simples em excesso
  • Ajustar a dieta conforme a aceitação individual

Uso de medicamentos

O tratamento medicamentoso é adjuvante e deve ser individualizado:

  • Antieméticos podem ser utilizados para controle de náuseas e vômitos
  • Antidiarreicos podem ser considerados em adultos sem sinais de infecção invasiva, com cautela
  • Antibióticos não têm indicação, pois não atuam contra vírus

O uso indiscriminado de medicamentos deve ser evitado, especialmente em idosos.

Prevenção e controle da transmissão

Medidas de prevenção são fundamentais, sobretudo em ambientes coletivos:

  • Higienização rigorosa das mãos com água e sabão
  • Limpeza adequada de superfícies potencialmente contaminadas
  • Afastamento temporário de atividades laborais em casos sintomáticos
  • Atenção especial ao preparo e armazenamento de alimentos

A adesão a essas medidas reduz significativamente a disseminação da doença.

Prognóstico e acompanhamento

Em adultos saudáveis, o prognóstico da gastroenterite viral aguda é excelente, com resolução espontânea do quadro. O acompanhamento deve focar na evolução clínica, na manutenção da hidratação e na identificação precoce de sinais de complicação.

Pacientes com doenças crônicas, idosos ou imunossuprimidos podem necessitar de monitoramento mais próximo.

Resumindo

A gastroenterite viral aguda em adultos é uma condição comum, autolimitada e, na maioria dos casos, manejável no contexto ambulatorial. O reconhecimento precoce, a avaliação cuidadosa do estado de hidratação e a orientação adequada ao paciente são fundamentais para evitar complicações e internações desnecessárias.

A abordagem centrada no suporte clínico e na educação em saúde permanece como a estratégia mais eficaz.

 

Referências bibliográficas

  • UpToDate. Acute viral gastroenteritis in adults. Waltham, Massachusetts: UpToDate Inc. Disponível em: https://www.uptodate.com. Acesso conforme material fornecido no anexo.

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