Clínica Médica
Derrame pleural: causas, diagnóstico e quando drenar
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A estenose da artéria renal é o estreitamento do lúmen da artéria renal. Ela pode causar hipertensão renovascular, piora da função renal e, em casos selecionados, edema pulmonar súbito e recorrente.
As principais causas são aterosclerose e displasia fibromuscular. A presença de estreitamento, porém, não significa necessariamente que haverá repercussão clínica. Por isso, a investigação deve ser direcionada aos pacientes com maior probabilidade de doença significativa.
| Termo | Significado |
| Estenose da artéria renal | Estreitamento do lúmen da artéria renal |
| Estenose angiograficamente significativa | Redução maior que 50% do diâmetro do vaso |
| Hipertensão renovascular | Hipertensão mediada por renina e angiotensina II por rim subperfundido |
| Nefropatia isquêmica | Redução crônica da taxa de filtração glomerular por estenose arterial renal |
| Causa | Perfil típico |
| Aterosclerose | Mais comum; geralmente em pacientes mais velhos e com doença vascular |
| Displasia fibromuscular | Mais comum em mulheres jovens, frequentemente antes dos 30 anos |
| Pós-transplante | Estenose em local de anastomose |
| Vasculites | Inclui arterite de Takayasu |
| Tromboembolismo/ateroembolismo | Pode comprometer perfusão renal |
| Trauma, radioterapia ou fibrose retroperitoneal | Causas menos comuns |
A estenose aterosclerótica costuma acometer o terço proximal e o óstio da artéria renal. A displasia fibromuscular pode produzir o aspecto clássico em “colar de contas” nas porções média e distal.
| Situação clínica | Por que sugere estenose da artéria renal |
| Hipertensão acelerada, resistente ou maligna | Apresentação comum |
| Início de hipertensão antes dos 30 anos | Sugere displasia fibromuscular |
| Início ou piora após 55 anos | Sugere doença aterosclerótica |
| Piora da função renal sem explicação | Pode indicar nefropatia isquêmica |
| Lesão renal aguda após IECA ou BRA | Sugere doença bilateral ou rim único funcional |
| Edema pulmonar rápido e recorrente | Pista importante de estenose bilateral significativa |
| Rim atrófico sem explicação | Pode refletir hipoperfusão crônica |
| Diferença entre rins maior que 1,5 cm | Sugere doença renovascular |
| Sopro abdominal | Achado sugestivo no exame físico |
| Perfil aterosclerótico | Perfil displasia fibromuscular |
| Doença arterial coronariana | Mulher jovem |
| Doença vascular periférica | Início precoce de hipertensão |
| Dislipidemia | Tabagismo pode estar associado |
| Diabetes mellitus | Aspecto em “colar de contas” na imagem |
| Tabagismo | Pode ocorrer sem aterosclerose sistêmica |
| Exame | Objetivo |
| Creatinina sérica | Estimar função renal |
| Potássio sérico | Hipocalemia ou potássio baixo-normal pode sugerir ativação renina-angiotensina-aldosterona |
| Urinálise e sedimento | Excluir doença glomerular |
| Avaliação de proteinúria | EAR costuma ser não proteinúrica quando isolada |
| Exames cardiovasculares | Avaliar comorbidades e risco global |
| Exame | Papel |
| Ultrassonografia duplex | Pode avaliar velocidade de fluxo e sugerir estenose significativa |
| Angiotomografia | Avalia anatomia vascular, mas usa contraste |
| Angiorressonância | Útil para anatomia vascular em contextos selecionados |
| Angiografia convencional | Pode confirmar e permitir intervenção, mas é invasiva |
Critérios ultrassonográficos úteis incluem razão da velocidade sistólica máxima artéria renal/aorta maior que 3,5 e velocidade sistólica máxima acima de 200 cm/s com turbulência pós-estenótica.
| Gravidade | Redução do diâmetro |
| Moderada | 50% a 70% |
| Grave | Mais de 70% |
| Oclusão total | 100% |
A maioria dos pacientes é tratada inicialmente com terapia medicamentosa e controle de risco cardiovascular.
| Medida | Objetivo |
| Controle pressórico | Reduzir lesão de órgão-alvo |
| Aspirina | Prevenção secundária em doença aterosclerótica |
| Estatina de alta intensidade | Reduzir risco cardiovascular |
| Controle glicêmico | Reduzir progressão vascular |
| Cessar tabagismo | Reduzir risco aterosclerótico e vascular |
| Monitorar função renal | Especialmente após bloqueio renina-angiotensina |
O papel da intervenção percutânea é controverso e deve ser reservado para casos selecionados.
| Situação | Por que considerar |
| Hipertensão difícil de controlar apesar de terapia agressiva | Possível benefício em doença significativa |
| Declínio rápido da função renal | Suspeita de repercussão hemodinâmica |
| Edema pulmonar rápido e recorrente | Cenário clássico de alto risco |
| Estenose confirmada em imagem | Necessária para decisão invasiva |
| Displasia fibromuscular sintomática | Pode responder melhor à intervenção em casos selecionados |
A estenose da artéria renal deve ser lembrada em hipertensão resistente, piora renal após IECA ou BRA, edema pulmonar súbito recorrente e hipertensão de início muito precoce ou tardio.
Na prática, o diagnóstico deve ser direcionado a pacientes com sinais clínicos fortes, pois nem toda estenose anatômica causa hipertensão renovascular ou nefropatia isquêmica. O tratamento é principalmente clínico, com revascularização para cenários graves ou de alto risco.
Referência bibliográfica: BMJ Best Practice. Estenose da artéria renal. Última atualização: 04 ago. 2026.

Gabriel Henriques Amorim é médico (CRM-SP 272307), especialista em Educação na Saúde pela USP e residente de Medicina de Família e Comunidade no Hospital das Clínicas da FMUSP. No blog da Manole, compartilha conteúdos práticos, baseados em evidências, voltados para o dia a dia do cuidado em saúde.
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